domingo, 7 de outubro de 2018

Mídia e violência: um olhar sobre o Brasil

Mídia e violência: um olhar sobre o Brasil 

Denise W. Carvalho,1 Maria Teresa Freire1 e Guilherme Vilar 2 Como citar: Carvalho DW, Freire MT, Vilar G. Mídia e violência: um olhar sobre o Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2012:31(5):435–8.

sinopse O presente artigo discute a espetacularização e a utilização da violência pela mídia para captar audiência, citando casos brasileiros, assim como os possíveis papéis da mídia no incentivo ou redução da violência. O tema violência perpassa a configuração das sociedades e seus diversos elementos, dentre os quais a mídia se destaca. O debate considera que os meios de comunicação, como produtores de sentido, podem contribuir para a transformação de comportamentos e hábitos sociais a partir de uma abordagem que valorize a igualdade, a cidadania, a liberdade e a segurança dos sujeitos. Ao restringir a importância e a ênfase ao assunto violência, o discurso midiático pode contribuir para uma cultura mais equânime no sentido de promover a redução dos índices de violência. 

Rev Panam Salud Publica 31(5), 2012 435 1 Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Escola de Comunicação e Artes, Curitiba (PR), Brasil. Correspondência: Denise W. Carvalho, denisewerneck.f@gmail.com 2 Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Departamento de Estatística e Informática, Recife (PE), Brasil. Palavras-chave: violência; comunicação em saúde; informação; meios de comunicação de massa; Brasil. Os países latino-americanos seguem na direção de inibir o aumento da violência, em todas as suas formas. Entretanto, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) (1, 2), o que sugere que os esforços do governo brasileiro não têm sido suficientes para trazer segurança à sociedade, sendo os jovens as principais vítimas. A violência faz parte da história da humanidade desde a sua origem. 

A literatura sobre esse assunto é prolífera, tendo recebido a contribuição de muitos pensadores ao longo do tempo. Para Marx, a violência advinha das relações expressas pelo capital, pela luta de classes e pela exploração da mão de obra assalariada. Hegel entendia a violência como inerente ao ser humano, enquanto Nietzsche se concentrava no combate à injustiça, defendendo que a violência mantinha uma função de memória sobre os efeitos de ações proibidas pela sociedade (3). Autores como Bauman (4), Giddens (5), Chauí (6), Porto (7), Carvalho (8) e Fausto Neto (9) compartilham a preocupação com os avanços da violência, discutindo aspectos gerais e sociais de seus efeitos. 

Na definição de Michaud (10): Há violência quando, numa situação de interação, vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou mais pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais. (p. 11) O conceito abarca os planos antropológico e sociológico: antropológico porque os instintos são entendidos como derivados da cultura, o que torna o desconhecido hostil, originando a agressão, a ira e o combate; e sociológico por admitir diferença de interpretações, destacando que um sistema é constituído de variáveis associadas ao meio ambiente, equilibrando o comportamento em sociedade. 

Ao abordar a violência a partir das diferentes dimensões da vida social, o conceito de Michaud (10) permite diferenciar as dimensões material e simbólica ao considerar que, como fenômeno, a violência varia de uma sociedade para outra. Contudo, a OMS alerta para a necessidade de um consenso mundial sobre o que se considera como violência, que permita comparar os dados entre os países para construir uma base sólida de conhecimento (11). 

Nesse contexto de violência e cultura, é preciso considerar os avanços das tecnologias da comunicação e da informação, que projetaram a informação a patamares jamais observados. Das mídias impressas às eletrônicas, das redes sociais aos blogs e microblogs, a sociedade nunca produziu nem recebeu tanta inforMídia e violência: um olhar sobre o Brasil Denise W. Carvalho,1 Maria Teresa Freire1 e Guilherme Vilar 2 Como citar: Carvalho DW, Freire MT, Vilar G. Mídia e violência: um olhar sobre o Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2012:31(5):435–8. s

fone https://scielosp.org/pdf/rpsp/2012.v31n5/435-438/pt

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