Mídia e violência:
um olhar sobre o Brasil
Denise W. Carvalho,1 Maria Teresa Freire1 e Guilherme Vilar 2 Como citar: Carvalho DW, Freire MT, Vilar G. Mídia e violência: um olhar sobre o Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2012:31(5):435–8.
sinopse
O presente artigo discute a espetacularização e a utilização
da violência pela mídia para captar audiência, citando casos
brasileiros, assim como os possíveis papéis da mídia no incentivo
ou redução da violência. O tema violência perpassa
a configuração das sociedades e seus diversos elementos,
dentre os quais a mídia se destaca. O debate considera que os
meios de comunicação, como produtores de sentido, podem
contribuir para a transformação de comportamentos e hábitos
sociais a partir de uma abordagem que valorize a igualdade,
a cidadania, a liberdade e a segurança dos sujeitos. Ao
restringir a importância e a ênfase ao assunto violência, o
discurso midiático pode contribuir para uma cultura mais
equânime no sentido de promover a redução dos índices de
violência.
Rev Panam Salud Publica 31(5), 2012 435
1 Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Escola
de Comunicação e Artes, Curitiba (PR), Brasil. Correspondência:
Denise W. Carvalho, denisewerneck.f@gmail.com 2 Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Departamento
de Estatística e Informática, Recife (PE), Brasil.
Palavras-chave: violência; comunicação em saúde;
informação; meios de comunicação de massa; Brasil.
Os países latino-americanos seguem na direção de inibir
o aumento da violência, em todas as suas formas.
Entretanto, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking
mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS)
(1, 2), o que sugere que os esforços do governo brasileiro
não têm sido suficientes para trazer segurança à
sociedade, sendo os jovens as principais vítimas.
A violência faz parte da história da humanidade
desde a sua origem.
A literatura sobre esse assunto é
prolífera, tendo recebido a contribuição de muitos pensadores
ao longo do tempo. Para Marx, a violência advinha
das relações expressas pelo capital, pela luta de
classes e pela exploração da mão de obra assalariada.
Hegel entendia a violência como inerente ao ser humano,
enquanto Nietzsche se concentrava no combate
à injustiça, defendendo que a violência mantinha uma
função de memória sobre os efeitos de ações proibidas
pela sociedade (3). Autores como Bauman (4), Giddens
(5), Chauí (6), Porto (7), Carvalho (8) e Fausto Neto
(9) compartilham a preocupação com os avanços da
violência, discutindo aspectos gerais e sociais de seus
efeitos.
Na definição de Michaud (10):
Há violência quando, numa situação de interação,
vários atores agem de maneira direta ou
indireta, maciça ou esparsa, causando danos a
uma ou mais pessoas em graus variáveis, seja
em sua integridade física, seja em sua integridade
moral, em suas posses, ou em suas participações
simbólicas e culturais. (p. 11)
O conceito abarca os planos antropológico e
sociológico: antropológico porque os instintos são
entendidos como derivados da cultura, o que torna o
desconhecido hostil, originando a agressão, a ira e o
combate; e sociológico por admitir diferença de interpretações,
destacando que um sistema é constituído de
variáveis associadas ao meio ambiente, equilibrando o
comportamento em sociedade.
Ao abordar a violência a partir das diferentes
dimensões da vida social, o conceito de Michaud (10)
permite diferenciar as dimensões material e simbólica
ao considerar que, como fenômeno, a violência varia de
uma sociedade para outra. Contudo, a OMS alerta para
a necessidade de um consenso mundial sobre o que se
considera como violência, que permita comparar os
dados entre os países para construir uma base sólida
de conhecimento (11).
Nesse contexto de violência e cultura, é preciso
considerar os avanços das tecnologias da comunicação
e da informação, que projetaram a informação a
patamares jamais observados. Das mídias impressas
às eletrônicas, das redes sociais aos blogs e microblogs,
a sociedade nunca produziu nem recebeu tanta inforMídia
e violência:
um olhar sobre o Brasil
Denise W. Carvalho,1
Maria Teresa Freire1
e Guilherme Vilar 2
Como citar: Carvalho DW, Freire MT, Vilar G. Mídia e
violência: um olhar sobre o Brasil. Rev Panam Salud Publica.
2012:31(5):435–8.
s
fone https://scielosp.org/pdf/rpsp/2012.v31n5/435-438/pt
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