Fundamentos metodologicos da ginastica
(Parte 5 de 18)
- A Escola de Joinville-le-Pont foi fundada em 15 de julho de 1852, no mesmo local onde ainda se encontra.
- A Escola adotou então o Regulamento Francês de Ginástica, aprovado em 24 de agosto de 1846, pelo Ministro da Guerra, como o título “Instrução para o Ensino da Ginástica nos Corpos de Tropa e nos Estabelecimentos Militares”, que foi elaborado por uma comissão: General Aupik, Coronel Amoros, Capitão D’Argy, Napoleão Laisné e outros.
- Em 1815 o comandante D’Argy publicou “Instruções para o Ensino da Ginástica”, que se fazia acompanhar de um plano e de uma relação de aparelhos usados no exército.
- A 22 de dezembro de 1904, por decreto do Presidente da República Francesa, foi instituída uma comissão interministerial para tratar da unificação dos métodos nas escolas, ginásios e regimentos, onde presidiu o General Castex e outros 13 membros, resultando no “Manual d’Exercices Physiques et de Jeux Scolaires”
- Após várias tentativas, ensaios em alguns novos regulamentos, baseados sempre nos anteriores, com pequenas modificações, que fizeram parte Tissié e Herbert, com a experiência da guerra de 1914-18, então surgiu em 1919 um complemento ao “Manual d’Exercices Physiques et de Jeux Scolaires”. Era um manual completamente novo de título “Projet de Réglement General d’Education Physique”. Tal projeto foi consolidado em 1927, sendo reeditado em 1932.
ANÁLISE GERAL DO MÉTODO FRANCÊS
O Método francês possui sua fundamentação voltada para as ciências médicas, tais como a fisiologia e a Anatomia, possuindo um fulcro na Mecânica. Com a contribuição do professor e fisiologista francês Georges Dêmeny (1850 – 1917), considerado por muitos como o grande patriarca do Método francês, o método buscou um embasamento maior nas leis da física e da Biologia, aplicando exercícios físicos e atividades com base científica.
Bases Fisiológicas - A educação física deverá ser orientada pelos princípios de fisiologia. Durante a infância a educação física deve visar ao desenvolvimento harmônico do corpo, enquanto na idade adulta o seu papel é manter e melhorar o funcionamento dos órgãos, aumentar o poder do coração e dos vasos sangüíneos, o valor funcional do aparelho respiratório, a precisão e eficácia dos movimentos e pelo conjunto desses meios, assegurar a saúde.
Bases Pedagógicas - segundo a definição do método, a educação física compreende o conjunto de exercícios cuja prática racional e metódica é susceptível de fazer o homem atingir o mais alto grau de aperfeiçoamento físico, compatível com sua natureza, e utilizando-se de várias formas de trabalho: jogos, flexionamentos, exercícios educativos, aplicações (as grandes famílias - marchar, trepar, saltar, levantar e transportar, correr, lançar e atacar, e defender-se), desportos individuais, desportos coletivos.
REGRAS GERAIS PARA APLICAÇÃO DO MÉTODO FRANCÊS
1. Grupamento dos Indivíduos - baseado na fisiologia e na experiência, adotou a classificação racional em grupos de valor fisiológico sensivelmente equivalente: educação física elementar ou pré-pubertária (crianças de 4 a 13 anos); educação física secundária ou pubertária e pós-pubertária (adolescentes de 13 a 18 anos); educação física superior ou desportiva e atlética (adultos de ambos os sexos de 18 a 35 anos); e ginástica de conservação para a idade madura (adultos de ambos os sexos com mais de 35 anos).
2. Adaptação ao Exercício - o regime de trabalho físico a que serão submetidos depende: do fim a atingir, da dificuldade e da intensidade dos exercícios e das qualidades que estes exercícios são susceptíveis de desenvolver ou de aperfeiçoar. Para compor o programa de exercícios foram elaborados quadros de exercícios por ciclos (elementar, secundário e superior) e que constava de: grupamento, fim a atingir (objetivo), o programa de exercício e regime de trabalho.
3. Atração do Exercício - os exercícios físicos devem ser higiênicos e salutar quanto maior o prazer com que for praticado. O instrutor deverá esforçar-se para tornar a sessão atraente, pela escolha judiciosa dos exercícios que variará, freqüentemente, pela introdução de jogos em momento oportuno no decorrer da lição e, principalmente, pela emulação e disposição para o trabalho que provocará em sua classe.
4. Verificação Periódica da Instrução - a verificação periódica dos exercícios físicos é realizada pelo médico e pelo professor e repousa nos exames fisiológicos e práticos. A verificação médica é efetuada no início e final do ano letivo, seguido de exame prático de dificuldade compatível com o valor físico dos concorrentes.
UMA SESSÃO COMPREENDE TRÊS PARTES
De forma genérica, o método buscava ordenar e aplicar um grupo racionalizado de exercícios e atividades que compreendiam os saltos e saltitos, os lançamentos, os arremessos, as corridas, as marchas e com sua aplicação militar também utilizavam-se de esportes como a esgrima, a natação e a equitação.
1. Preparatória - duração de 2/10 do tempo total da sessão. Comporta evoluções e flexionamentos dos braços, pernas, tronco, combinados, assimétricos e de caixa torácica.
2. Lição Propriamente Dita - duração de 7/10 da sessão. Abrange exercícios grupados nas sete famílias: marchar, trepar e equilibrar-se, saltar, levantar e transportar, correr, lançar e atacar e defender-se.
3. Volta á Calma - duração de 1/10 da sessão. Contém: marcha lenta com exercícios respiratórios, marcha com canto ou assobio e exercícios de ordem.
O Movimento Esportivo Inglês
A Situação Política e Social
As revoluções inglesas do século XVII deram à Inglaterra um regime parlamentarista estável, livrando-a das agitações que perturbaram a Europa continental nos séculos XVIII e XIX. Durante os séculos XVI e XVII a Inglaterra experimentou grande desenvolvimento comercial, que aumentou com a adoção do liberalismo econômico no século XVIII e com a formação de um vasto império colonial. A partir de 1760 a Inglaterra passou a sediar a Revolução Industrial, acontecimento que - ao lado da Revolução Francesa - modelou a história da civilização ocidental.
Vários fatores foram decisivos para que a Revolução Industrial se desenrolasse entre os ingleses. A Inglaterra expandiu o seu comércio e assegurou mercado consumidor e mercado fornecedor de matérias-primas já no século XVIII. O desenvolvimento comercial possibilitou também a acumulação de capital, e além disso a Inglaterra dispunha de bastante carvão e ferro. As revoluções do século XVII haviam tirado poder da aristocracia em favor da burguesia, desejosa de promover o desenvolvimento econômico. Por outro lado, a doutrina do puritanismo e do calvinismo inglês estimularam o enriquecimento e a acumulação de riquezas.
A Revolução Industrial significou a passagem do trabalho artesanal para o trabalho industrial, do trabalho doméstico para o trabalho fabril e transformação do artesão em trabalhador assalariado. A Revolução Industrial mudou radicalmente o regime de produção econômica, proporcionando uma inédita acumulação de riquezas e gerando transformações em todas as instâncias da sociedade inglesa dos séculos XVIIl e XIX. Desenvolveu-se a tecnologia industrial, a população urbana cresceu muito nas grandes cidades, a classe média tornou-se mais numerosa e mais rica, o proletariado a partir de certo momento organiza-se para lutar contra as péssimas condições de trabalho e os baixos salários, e a agricultura moderniza-se para atender a um crescente consumo.
A partir de 1850, a Revolução Industrial foi exportada para outros países da Europa e da América, iniciando pela Bélgica, França, Alemanha, Itália e Estados Unidos, após a estabilização de seus quadros políticos.
Situação das Instituições Educacionais
A Inglaterra foi mais demorada - em comparação com outros países europeus - em estabelecer uma educação pública nacional controlada pelo Estado. Segundo Luzuriaga (1979) os ingleses consideravam a educação mais como responsabilidade da sociedade civil que do Estado.
Até as primeiras décadas do século XIX, a educação esteve exclusivamente nas mãos da Igreja e de entidades particulares de caráter beneficente. As classes média e alta financiavam sua própria educação, enquanto que a educação elementar para os pobres era paroquial ou beneficente.
As transformações produzidas pela Revolução Industrial, o crescimento e a concentração da população nos centros fabris e mineiros levaram gradualmente à intervenção do Estado na educação (Luzuriaga, 1979; Mclntosh, 1973). Em 1833 o Parlamento concedeu uma subvenção às sociedades filantrópicas para construção de prédios escolares. O Departamento de Educação foi criado em 1856 para administrar os fundos governamentais. O Ato de Educação de 1870 formou a base da educação primária mantida pelo Estado, e em 1876 foi introduzida a obrigatoriedade escolar.
O Esporte como Meio de Educação
A Educação Física inglesa do século XIX não foi muito influenciada pela filosofia nacionalista, tendo um desenvolvimento diferenciado em relação ao restante da Europa. A disciplina e o treinamento físico impostos ao povo nos países continentais, visando a defesa nacional, não se fizeram necessários na Inglaterra, pois sua posição geográfica isolada e sua poderosa marinha livraram-na de invasões estrangeiras. Por isso, sua maior contribuição não foi no campo da ginástica, mas do esporte.
O movimento esportivo inglês do século XIX formou o outro pilar da sistematização da moderna Educação Física, e guarda relação com as transformações sócio-econômicas produzidas pela Revolução Industrial naquele país a partir de 1760 (Eyler, 1969; Mclntosh, 1975; Rouyer, 1977). Até o final do século XVIII o esporte era uma prática tipicamente aristocrática na Inglaterra, tendo este panorama se modificado substancialmente no decorrer do século seguinte, com a proliferação do esporte em outras camadas sociais e sua institucionalização em órgãos diretivos.
As tradicionais Escolas Públicas (PiMic-Schools), fundadas entre os séculos XIV e XVII, as Universidades e a classe média emergente da Revolução Industrial tiveram participação fundamental neste processo.Os estudantes das Public-Schools promoviam seus próprios jogos - futebol, caça e tiro - desafiando às vezes a proibição das autoridades educacionais que os consideravam perigosos e violentos.
A partir de 1832, a classe média, que ascendera a uma posição de poder político e influência social por conta do desenvolvimento industrial, passou a reivindicar maiores privilégios educacionais, o que conseguiu efetivamente por volta de 1860, e fez erguer muitas novas escolas públicas espelhadas no modelo das antigas (Mclntosh, 1973, 1975). Esta conquista revelou-se decisiva para a proliferação dos jogos esportivos. Mclntosh (1975) entende que a obtenção de privilégios educacionais Peia classe média "coincidiu e foi responsável pelo desenvolvimento dos jogos organizados, particularmente o críquete e o futebol" (p. 88).
Em meados do século XIX o modelo esportivo predominante era o da classe média, que deu aos vários jogos esportivos, alguns descobertos em estado embrionário, organização, regras, técnicas e padrões de conduta para os praticantes, em grande parte vigentes até hoje. A partir de 1857 e até o final do século fundaram-se dezenas de associações esportivas nacionais na Inglaterra.
Para Eyler (1969) parece existir uma relação entre o aumento do tempo de lazer, em parte induzido pela Revolução Industrial, e o desenvolvimento esportivo. Rouyer (1977) analisou o esporte com relação ao lazer e ao trabalho no quadro do emergente capitalismo inglês; constatou que o esporte era uma atividade de ócio da aristocracia e da alta burguesia e um meio de educação social de seus filhos, e que a Inglaterra era o primeiro caso típico da realidade do esporte num país capitalista.
A Inglaterra foi pioneira em divulgar o esporte entre uma população industrial e urbana (Mclntosh, 1975). O esporte tornou-se acessível às classes trabalhadoras inglesas depois de ter surgido pra a classe média, em decorrência de conquistas trabalhistas. Por volta de 1870 os trabalhadores passaram a reivindicar - e obtiveram - uma redução da jornada de trabalho. Segundo Mclntosh (1975) "Foi então, e só então que se deu a grande proliferação de clubes desportivos e organizações distritais" (p. 38).
A Inglaterra foi também pioneira em aceitar e utilizar o esperte como um meio de educação. O exemplo da Escola de Rugby onde seu diretor Thomas Arnold (1795-1842) suprimiu a ilegalidade de alguns jogos esportivos, generalizou-se nas demais Escolas Públicas na segunda metade do século XIX, que tradicionalmente dedicavam parte da vida escolar à organização e supervisão de atividades pelos próprios estudantes, e o auto-governo foi altamente desenvolvido nos jogos e esportes. A "capacidade de governar outros e controlar a si próprio, a atitude de combinar liberdade com ordem" (Comissão Real das Escolas Públicas, citado por Mclntosh, 1973, p. 119) era o modelo aceito da Educação Física nas Escolas Públicas.
No entendimento de Rouyer (1977), no princípio do século XIX, as classes dirigentes que enriqueceram encontram-se física e moralmente degradadas, ao mesmo tempo que a Inglaterra entra numa época de prosperidade e segurança. Este desenvolvimento da produção leva, diante da necessidade de importar e exportar, à exploração e expansão de um império colonial, o que exige:
(...) homens fortes, empreendedores, que saibam tomar as suas responsabilidades neste mundo da livre troca, do struggle for life, descoberto por Darwin nesta época da história, e transformado em princípio pedagógico por Spencer. São necessárias equipes de homens de ação solidários, prontos a jogar com o espírito de iniciativa, segundo as regras do jogo capitalista. É necessária uma educação apropriada, para formar, a exemplo do recordado cidadão romano, o prestigioso cidadão britânico, (p. 173-174)
As Escolas Públicas, segundo Mclntosh (1973), produziram líderes em muitas esferas da vida inglesa - na indústria, na política, no exército, nas empresas comerciais através do mundo e na administração de um vasto e crescente império colonial. Para Van Dalen e Bennet (1971) as Escolas Públicas enfatizaram a influência socializante dos jogos e seu uso para promover liderança, lealdade, cooperação, auto-disciplina, iniciativa, tenacidade e espírito esportivo - qualidades necessárias à administração do império britânico.
Contudo, foi apenas ao final do século XIX e início do século XX que o governo inglês adotou uma política de apoio à Educação Física nas escolas mantidas pelo Estado. Após o Ato de Educação de 1870, o Departamento de Educação efetivou acordo com o Gabinete Militar para que sargentos ministrassem instrução em Educação Física nas escolas. E curiosamente, o sistema imposto às escolas não foi o modelo esportivo das Escolas Públicas, mas o sistema ginástico sueco de Per H. Ling, que fora in-troduildo na Inglaterra entre 1840 e 1850 por graduados do Instituto Central de ginástica da Suécia. Em 1904, o sistema sueco foi adotado oficialmente nas escolas, o que gerou uma dualidade de sistemas na Educação Física Inglesa; jogos organizados na Escola Pública e ginástica na escola primária, objetivando, segundo During (1984), a formação de bons chefes de empreendimento e bons oficiais na primeira, e através da disciplina e dos efeitos fisiológicos do exercício sistemático, bons operários e soldados na segunda.
A partir do final do século XIX, o movimento esportivo inglês estava pronto para ser exportado. Embaixadores, administradores coloniais, missionários, comerciantes, marinheiros e colonos encarregaram-se de difundir o esporte inglês pelo mundo (Mclntosh, 1975). As primeiras associações esportivas nacionais de muitas modalidades surgiram na Inglaterra, e somente depois em outros países (Mclntosh, 1975).
No princípio do século XX "o desporto estava em posição favorável para se tomar um fenômeno de expansão mundial, um fenômeno internacional" (Mclntosh, 1975, p. 125). Para Krawczyk, Jaworski e Ulatowski (1979) o esporte tomou da tradição helênica a idéia da rivalidade entre indivíduos pela vitória em condições de competição com igualdade de oportunidades, e este princípio "era absolutamente congruente com a ideologia do liberalismo do século XIX" (p. 142).
Gradualmente, o esporte institucionalizou-se em quase todos os países do mundo, e também os programas de Educação Física em todo o mundo passaram a aceitá-lo e adotá-lo.
Thomas Arnold (1795-1842), diretor do Colégio de Rugby, surge como líder de um movimento denominado "cristianismo muscular", concebido em virtude de "um certo desajustamento na juventude inglesa" (44, pág. 116). Educador imbuído de um elevado espírito humanista, incorporou, no âmbito escolar, o esporte com uma conotação verdadeiramente educativa, haja vista a importância que era dada ao fair-play.
Importante considerar que Arnold não foi, propriamente, um criador de jogos, como o foram no campo da ginástica, Jahn, Ling e Amoros. Seu maior mérito foi a integração dos esportes no quadro pedagógico da escola que dirigia. A iniciativa de Arnold foi seguida por quase todas as escolas inglesas, apesar da resistência oferecida por vários setores:
"O clero não podia admitir que a força física tivesse um papel primordial na educação moral. O médico julgava imprudente fazer trabalhar o organismo de uma maneira tão intensa. O intelectual temia que o nível de estudos experimentasse uma queda prejudicial ao país. A imprensa sustinha, com seu poder, todas as críticas que se elevavam contra a iniciativa de Arnold" (30, pág. 65).
A relevância dada ao esporte no campo da educação física ficou restrita à Inglaterra, até a realização da I Lingíada, em 1939, quando as escolas passaram a sofrer influências recíprocas.
É ainda digna de nota a atuação de Clías, também na Inglaterra, onde chegou em 1822, destacado para o treinamento de tropas militares. Dedicando-se à ginástica terapêutica, marca o início da implantação de uma educação física sistemática inglesa.
Método de Educação Física Desportiva Generalizada
Os atuais princípios do Método de Educação física Desportiva Generalizada foram estabelecidos no ano de 1945, na frança, através do Instituto Nacional de Esportes. Para tal estabelecimento partiu-se da premissa que era necessário oferecer uma educação integral, onde fossem educados os aspectos físicos do corpo, o espírito, o caráter, a responsabilidade com conotação social. Também cabe ressaltar, que o fator psicológico durante a realização dos exercícios físicos e das atividades desportivas propostas deveria preponderar, fazendo com que os mesmos fossem realizados de uma forma prazerosa, tanto por jovens, quanto por adultos.
Uma das principais bases do Método de Educação física Desportiva Generalizada é o desporto e a sua prática por todos de forma indistinta.
Também cabe ressaltar que as atividades lúdicas (pequenos jogos) e sua prática ao ar livre são utilizadas por esse método.
Na execução desse método pretende-se que o desporto seja um meio eficaz para a aquisição de bons hábitos de higiene, desenvolvimento do espírito altruísta, busca do aperfeiçoamento do sentido de grupo ou equipe e conseqüentemente do bem coletivo, redução de manifestações egoístas e maniqueístas. Portanto, o desporto é, na visão dos idealizadores desse método, uma poderosa ferramenta de formação de indivíduos.
Dentre os principais objetivos a serem alcançados pelos indivíduos que fossem educados pelo Método da Educação física Desportiva Generalizada, podemos destacar:
- Utilizar o desporto como meio para o desenvolvimento social do indivíduo, proporcionando-lhe vivência coletiva com regras pré-estabelecidas.
- Proporcionar aos alunos uma clara noção da progressividade esportiva, levando-se em consideração características como idade, sexo e limitações fisiológicas.
- Possibilitar aos alunos a iniciação a técnica desportiva, através da aprendizagem por repetição dos diversos movimentos desportivos.
Outra característica inerente a esse método é procurar oferecer a prática esportiva a todos os indivíduos, valorizando a prática, em detrimento num primeiro momento, ao rendimento desportivo. Nesse caso, a valorização da competição educativa, em que todos são participantes e cooperam entre si, é mais importante que a vitória dos mais aptos.
Na montagem de aulas desse método, devemos conhecer uma série de jogos e desportos adaptados. Dessa forma, podemos classificar os exercícios e as atividades da seguinte forma:
a) Exercícios Naturais e os jogos: relacionados basicamente pela execução de movimentos simples (primários) e naturais e posteriormente a execução de jogos (livres, parcialmente dirigidos ou totalmente dirigidos), que podem ser com características cinestésicas, intelectuais ou com utilização da mímica.
b) Exercícios formativos: compostos por exercícios físicos clássicos, que buscam o desenvolvimento harmonioso do organismo humano, tanto nos seus aspectos físicos, quanto psicológicos.
c) Desportos Coletivos: indicados para complementação do processo de socialização iniciada nos jogos anteriormente descritos. O fator de sociabilização a ser desenvolvido pela prática do desporto desponta como item principal a ser considerado.
Devido à utilização dos mais variados tipos de jogos e pela prática e treinamento esportivo preconizados por esse método, devemos destacar que as formas de trabalho com o grupo ou turma são muito importantes.
Dessa forma, sobre tais formas podemos destacar as seguintes:
a) forma de trabalho - Individual: considerada como forma que permite o desenvolvimento da personalidade. Caracteriza-se pelo fato do aluno realizar a atividade proposta sem ajuda, respeitando o seu próprio ritmo ou o ritmo designado pelo professor.
b) forma de trabalho - Em pequenos grupos: tem por principal característica a formação de grupos que não ultrapassem cinco indivíduos. É uma forma bastante utilizada para o desenvolvimento do sentido de cooperação e auxílio mútuo.
c) forma de trabalho - Em grandes grupos: normalmente utilizada após o uso das duas formas anteriores, os grandes grupos podem ser concebidos de duas maneiras distintas:
- Relação direta entre os alunos: quando, por exemplo, os alunos são posicionados em círculo, quadrado, triângulo e outras formas geométricas e as ações desenvolvidas por todos são similares.
- Relação como adversários: normalmente utilizadas no trabalho com modalidades esportivas, em que um grupo responde pela parte defensiva, enquanto outro grupo desenvolve ações ofensivas. Este método é bastante utilizado nas modalidades de quadra (futsal, handebol, voleibol e basquetebol).
Os objetivos norteadores de aula neste método são o preparo moral e físico, a iniciação desportiva e a busca pela performance física e esportiva.
SEÇÃO 3: A Inclusão das Ginásticas na Escola e nas Escolas Brasileiras
Em meados do século XVIII, as Ginásticas foram inseridas no Brasil, visando a preparação física dos soldados da Corte e, o primeiro sistema de Ginásticas a ser implantado no país foi o alemão, na primeira metade do século XIX (Marinho, 1953). Meneghetti (2003) registra que a introdução do Método Alemão no Brasil deve-se ao grande número de imigrantes refugiados da guerra que se instalaram no país tendo como hábito essa prática. A força do referido Método é tão ampla que, por volta de 1860, é consagrado como o método oficial do exército brasileiro.
Em 1822, se dá a consolidação das Ginásticas na escola em que Rui Barbosa
deu seu parecer sobre o Projeto 224 — Reforma Leôncio de Carvalho, Decreto n. 7.247, de 19 de abril de 1879, da Instrução Pública —, no qual defendeu a inclusão da ginástica nas escolas e a equiparação dos professores de ginástica aos das outras disciplinas. Nesse parecer, ele destacou e explicitou sua idéia sobre a importância de se ter um corpo saudável para sustentar a atividade intelectual (BRASIL, 1997, p. 19).
Com a reforma, “houve recomendação para que a Ginástica fosse obrigatória, para ambos os sexos, e que fosse oferecida para as Escolas Normais” (DARIDO e SANCHEZ NETO, 2005, p. 2). Contudo, Betti (1991) coloca que até a década de 30, as leis propostas pela reforma, foram aderidas apenas pelas escolas da corte imperial e capital da República, e as escolas militares
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